domingo, 12 de outubro de 2014

No intervalo das eleições

Enquanto debatemos nossos candidatos prediletos, lembremos que votar é privilégio democrático e alguns casos o atestaram, na etapa recém-passada,  mais do que outros... tais quais ...

O jovem de 16 anos que se antecipou à obrigatoriedade do dever cívico 
A senhorinha de noventa anos que a estendeu além do tempo regulamentar


O cadeirante que exerceu seu direito vencendo suas limitações de locomoção físicas
E a ribeirinha amazonense que superou aquelas geográficas
E aquele que não vê com os olhos da carne , mas deseja fazê-lo com os do espírito
A todos, nossos parabéns e votos de um bom voto! 


sábado, 4 de outubro de 2014

Magia ao meio-dia

Meio-dia em dia útil, horário de almoço e a magia é escapar dos compromissos para ir ao cinema. Gosto bom de matar aula em versão transgressiva adulta.

Bem na vibe, o último filme de Woody Allen, bem feitinho e levinho...
Levinho demais para nosso gosto...
Ou se deve chamá-lo de irrelevante?

Trata a trama de um ilusionista, adepto de desmascarar falsos médiuns que, devidamente induzido ao engano por um amigo competitivo, deixa-se empulhar por uma jovem farsante, por quem, malgrado tudo (ou mesmo por isto?), acaba por se apaixonar. Bem sessão da tarde!

Em nossa memória, ainda mais no contexto de fuga vespertina do cotidiano duro, esperamos o Allen de tempos mais consistentes, da Rosa Púrpura do Cairo, onde o entrechoque de magia e realidade, termina com a constatação bela e sofrida da incompatibilidade dos dois mundos. Só assim, no seio de tal inevitável paradoxo,  a magia mantem vivo o seu poder de fecundar a realidade.


Já agora - e  há vários filmes Woody acentua uma escolha nesta direção - o negócio é diante da realidade desencantada apelar desvairadamente para impregná-la de ilusão ! Não importa que à custa da trapaça e da mentira, tudo é válido quando se trata de encobrir de purpurina o traçado singelo dos dias críticos. Ou seja...


 Ou será que só porque é uma fraude pode ser simpática?

Não se trata, em termos da análise densa a que aqui procedemos, de desvalorizar a capacidade de criar fantasia para suavizar tais contornos austeros da existência. Isto o ilusionista faz no registro de diversão que lhe é característico...






Se consciente deste registro, há uma face verdadeira que se despe de atavios ao fim dos momentos de representação.

E, para alguns de nós, o rosto despido de maquiagem, tem beleza similar àquele que, no palco, se faz projeções para  imaginações descontentes de sua condição de trafegar, por conta própria, entre os muitos mundos de que é feita a apreensão da realidade de cada um.

Assim, Woody faz a defesa da mentalidade do entretenimento,  não mais como solução provisória e fadada ao insucesso, como n"A Rosa Púrpura" , mas como resposta a ser implantada, nas escolhas da vida , de uma política íntima de alienação. 


Temas potencialmente mais sérios como as raízes tortas da afinidade amorosa, a leviandade impressa a certas traições da amizade, a natureza do encanto mágico são tornados banalidades 'simpáticas' a favor de um mergulho desesperançado no "me engana que eu gosto". Ao mesmo tempo se trivializa qualquer pretensão de contato com o desconhecido.


Estou sendo sem dúvida exigente demais com uma "comédia 'levinha' , tipo matinê de televisão, sem pretensões. Aí jaz o nó do problema!


Não se vai ver Woody Allen para uma "comédia romântica-sessão da tarde na rede Globo". Ao menos, para alguns de nós, ir conversar com um cineasta de peso em uma 'sala de espetáculos' (enfrentando trânsito e horários apertados)  é uma experiência que provocaria um diálogo íntimo que incentivasse o voltar ao batente.

E ao sair da 'Magia ao Luar" ( melhor se diria 'à luz dos Refletores' ),  não obstante as apreciações óbvias ao bem feitinho técnico da película, o que se sente é Tristeza!

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Namoro de pássaros


Na primavera,  o tema amoroso insinua-se nas nossas observações da natureza e em nossa tendência antropofórmica... 
Flanando no fim de semana no Jardim Botânico, deleitamo-nos em imaginar um romance de pássaros, que relatamos como se segue:

Passarinho e passarinha vagam cada um em seu cantinho.

Ela então se aproxima, dando uma de charminho 

Fica o mais perto possível, esperando um gesto do passarinho  ! 



Mas o passarinho faz doce, aguardando mais chameguinho ...

Então a passarinha se afasta, deixando o galã chilreando sozinho

Na copa da árvore ela se empoleira, mostrando sua soberania

E o passarinho vaidoso, então, fica pois no "quem diria" ! 

terça-feira, 23 de setembro de 2014

É primavera!!!


Afinal, a primavera começa dia 23 ou 22 de setembro?  Consultando um site de meteorologia,  somos informados de que há uma ligeira variação do dia inaugural da estação, de acordo com o ano. Em 2014, a Primavera teve inicio às 23h29 do dia 22 de setembro e vai até o dia 21 de dezembro.



  
  Ou seja, hoje acordamos na estação das flores, das borboletas e dos amores, de preferência aqueles em botão, espoucando para a Vida!!!  

Saudosos da poesia da data, vamos consultar um Poeta da Pátria, ele também já nostálgico  – no século XIX! – do romantismo associado à estação dos corações alados.



Primavera

Ah! quem nos dera que isto, como outrora, 
Inda nos comovesse! Ah! quem nos dera 
Que inda juntos pudéssemos agora 
Ver o desabrochar da primavera! 










Saíamos com os pássaros e a aurora. 
E, no chão, sobre os troncos cheios de hera, 
Sentavas-te sorrindo, de hora em hora: 
"Beijemo-nos! amemo-nos! espera!" 


E esse corpo de rosa recendia, 
E aos meus beijos de fogo palpitava, 
Alquebrado de amor e de cansaço. 


A alma da terra gorjeava e ria... 
Nascia a primavera... E eu te levava, 
Primavera de carne, pelo braço! 


Olavo Bilac, in "Poesias"

Bem, se a tradição do Dia não mais impacta profundamente o nosso peito, 
ela ainda nos dá pretexto para versejar a seu respeito !





domingo, 21 de setembro de 2014

Dando um rolê na manhã de domingo


... e o que faz o carioca ao levantar da cama, diante do céu cinzento e das águas rolando?

Os passeantes mais convictos, saem  pra dar um rolê e ver como está a vida lá fora...







Até que há bastante gente andando de guarda-chuvinhas e aproveitando o dia como dá .


Nos calçadões da Urca, os barquinhos como paisagem.






A turma da caminhada está na ativa...
Os mais românticos andam de pé descalço e de guarda-chuva à beira-mar 
A turminha do voleibal se reúne na areia
                                                            ... e o ciclista todo protegido vai pelo calçadão


Tem gente que ama nadar na chuva 





e os que adoram nela remar 


Alguns até dançam na chuva ...
... outros voltam para casa e apreciam da janela... e eu com eles ...

domingo, 14 de setembro de 2014

Quase fim de obra

Quase fim de obras e a bagunça generalizada infiltrou-se até o interior dos armários. 

O que é isto? Uma peliça esgueirando-se por cima dos cabides ? 

Não, é uma gatinha que caminha por uma estrada de vestidos e tailleurs e camisas... 


Que coisita mais linda! 


domingo, 7 de setembro de 2014

Manhã e jornal no Parque Laje

Manhã de sol macio de um domingo de ameno inverno
e o Parque Laje é nossa serena residência pública...

...entre a mata e a montanha, vibrando ao coro de irrequietos passarinhos.  

Em nosso jardim, o seu contemplador eterno nos parece um pouco solitário 

E um passeante solidário lhe faz companhia, em silenciosa discreta distância...
...enquanto lê, em santa paz, o seu jornal de domingo.