segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

O futuro chega ao sítio

 Em forma de um carro branco com escadas nas laterais .


E fios se estendem entre o último poste da rede e o mais próximo de casa.

 

Passam pelas plantas de meu jardim e entram em meu lar ...     

Com muita gentileza, os técnicos abrigam o modem e o roteador na mesinha de estudos na saletinha do andar de cima... 

Tomam cuidado em o melhor possível adaptar a fiação à estética roceira, com a assistência da Elizangela, minha nova auxiliar nas lides caseiras...  

E eis-nos conectados ao século XXI !!! 







domingo, 3 de janeiro de 2021

Passagem de anos estendida II

 Ontem, continuei o festejo simbólico do ano novo, numa réplica descansada de um almoço inaugural dedicado a promover  bons fluidos para o nascente período . 

  

A 'pièce de resistence' era um presunto cercado dos legumes que faço sempre para mim em casa, nesta época de quarentena, escolhidos entre os que dão menos trabalho para serem cozidos : couve-flor, brócolis, chuchu, quiabo e cenoura, acompanhados de uma saladinha verde (com um pouco de alfafa para dar um quê de diferente), mais o que sobrou dos bolinhos de bacalhau do Natal e rabanadas (feitas no forno) para sobremesa (mais as frutinhas natalinas secas e frescas)  

Os outros acompanhamentos haviam sido  comprados no Hortifruti: arroz com lentilhas (que eu nunca havia provado e achei sem graça ; além de estar com pouco sal), grão de bico (bem temperado e um favorito) e uma das três farofas que eu havia adquirido  - o olho maior que a barriga -  a mais 'adubada' (a 'crocante', com castanha do Pará, nozes, uvas pretas e claras, damasco etc .) , mas nem por isto muito gostosa ...     
  
 O desafio simbólico da inovação foi outra vez tentar gostar de um novo vinho. Como (admito tal ignomínia)  costumo apreciar mais suco de uva do que vinho, uma amiga bem intencionada me indicou o  rótulo Primitivo, que se aproximaria destas características primárias,  quase simplórias, de minha condição de apreciação, com um mínimo de classe. Comprei o que, segundo o sommelier do supermercado, mais se lhe aproximaria disponível  nas prateleiras . Tive o trabalho de abrir a rolha de cortiça , para mais uma vez não ver nada de tão especial assim no mitológico extrato da uva curtida, esmagada e depurada!



Brindei ao futuro com meio cálice cheio, para dar o resto da garrafa a quem melhoro a merecesse na segunda feira, quando voltamos ao trivial cotidiano.

Mais me divertiu usar,  para preservar o vinho, a rolhinha de urso que trouxe, há tanto tempo, do Canadá!

Ela me lembra o clima frio que tanto aprecio, o desejo de viagem a  países de florestas densas de animais fortes e esquivos... um pouco, afinal, de evasão e fantasia numa data a elas devotada !  

E Feliz Ano Novo, para os eventuais, sempre transitivos e queridos, amigos deste blog ! 









sábado, 2 de janeiro de 2021

Passagem de anos em ritmo estendido I

 Ao contrário do Natal, que sempre me emociona um pouquinho, não sou em nada dada a comemorar o 'ano novo' , mesmo porque quase sempre à meia-noite estou dormindo. Mas este 2020 que finda foi mesmo um período de vida muito pesado, em geral,  e, em seu final, para mim também em particular . E adepta de representações simbólicas que sou, deixe-me capturar um tanto em sua rede. 

Mesmo porque, esta passagem de ano se constituiu em um feriado comprido, alongando-se para o sábado e o domingo ... Tive a chance de fazer com calma, em meu próprio ritmo, os preparativos de 'festejo' ; os quais, para mim, além da troca intensa das mensagens por WhatsApp, constam de arranjos de comidinhas e de mesa  peculiares  a datas especiais. 

Cedendo um pouco ao ritual de homenagear o  primeiro dia do nascente ano, preparei uma mesa de brunch entre simbólica e realista, ou seja, incluindo itens de significado íntimo e outros que iria de verdade consumir...


Detalhando-lhes a escolha ...

Adoro a delicadeza das physalis envoltas em suas folhinhas secas que  mal nos permitem ver os globinhos agridoces amarelos, como lâmpadas escondidas em envoltórios  de papel crepe .. 
E cerejas, ameixas frescas, blueberries e uvas são a sinfonia frutífera de tons lilás-arroxeados de minha preferência nas Festas... 


Fazendo honra a uma gulodice  assumida, a cestinha de pão era protagonista de outra mini-historieta. 


O queijinho e o pote de geleia de jabuticaba do centro são do sítio. À sua direita, o doce de tomate que um analisando me deu, me lembra de minha querida Clinica. À sua esquerda, o potinho de geleia de jabuticaba da AmadaMata me remete a um dos melhores momentos do ano que finda, em que me permiti um prazer de escapada do cotidiano.  Mas as estrelas desta constelação eram os pães artesanais, de nozes e  passas e de queijo canastra com ervas. acomodados em leito de torradas de orégano. 
 A foto acima confirma o quão  bem recheados eles são dos acepipes prometidos ! 


Pretendia demonstrar controle com a caixa de biscoitos de manteiga que só me permito nesta época, esvaziada pela metade exata (até o Natal) de maneira a que o restante o seja até o Dia dos Reis ! 



Por outro lado, a verossimilhança da cena vem da bandejinha ao lado da cama , onde degustei , vendo um bom filme, os pães com muita manteiga e suco de laranja, o arquétipo dos cafés da manhã  proibidos e deliciosos de minhas quebras de rotina em ocasiões menos solenes ! 







    

domingo, 27 de dezembro de 2020

Resquícios das tradições natalinas II

 Malgrado meu desânimo, foi agradável  passar pela casa de minha mãe e participar de um almoço tardio, no dia de Natal, onde algumas de suas tradições foram mantidas de forma discreta.

Não mais, é claro, um excesso de pratos que obedeciam mais a um critério quase estético de representar um júbilo culinário do que a se prestar ao fruir conjunto de uma refeição simplesmente mais gostosa do que a do dia-a-dia. 

Mas estavam presentes, o peru, os bolinhos de bacalhau , o arroz incrementado e a saladinha, que é quase um enfeite ...  mais uns pasteizinhos de carne , de que a mamãe se tornou fã recentemente.  

Nas mesinhas laterais, não mais uma cornucópia de nozes e frutas secas, que ficavam  rolando por meses na despensa... quase que apenas  as frutas cristalizadas que a mamãe prefere, mais um ou outro  damasco para conferir cor ao arranjo. 

Também reduzimos as sobremesas ... as tão engordativas e neutras afetivamente tortas de padaria , que jamais chegaram perto de substituir a torta moscovita da época da vovó,  cujos componentes 'home made' eram preparados em longas horas das semanas anteriores . As rabanadas já são consistentes o suficiente em termos calóricos e característicos da data . E uma saladinha de frutas, fresquinha e muito variada e farta, a acompanhou lindamente.  

Trouxe para casa as sobras destes abundantes ingredientes. que vão me ajudar no preparo das refeições  corriqueiras, de dias idem-idem; que me tragam o eco de antigas alegrias em dias chuvosos e cinzentos.   . 
 




sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Resquícios das tradições natalinas I

 Houve época em que Natal equivalia a montes de cartões e presentinhos de amigos e ceia à meia-noite  compartilhada por parentes sorridentes e enfeitada por árvores iluminadas e abraços calorosos.

Agora, neste ano triste, em nível coletivo e individual, não tenho vontade sequer de colocar uma guirlanda na minha porta, o que nunca deixei de fazer... 

Daqui a pouco, vou almoçar com minha mãe, cada uma a dois metros de distância da outra, os pratos tradicionais servidos à americana ... precauções da quarentena ...  

Algumas pessoas queridas próximas se recordaram de antigos símbolos que dispus com carinho na minha mesa...

... à guisa de lembrete e , quiçá, da esperança de dias vindouros que restaurem a  riqueza de ancestrais-inéditos Significados ... 



sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Ritinha

 Ritinha,  minha caseira no sítio há mais de 25 anos, foi-se embora ontem desta Terra. Um infarto súbito  e sua essência roceira se esvai no ar , como o perfume das flores que ela bem amava...

Tantas lembranças ... e já muitas saudades! 

Sua comidinha do nossa horta, tão  saborosa...
 Seu amor a meus, nossos gatinhos ... de cujos dengos comigo partilhava 

Suas geleias deliciosas , que conseguíramos de dois anos para cá organizar no freezer e pensávamos em um dia comercializar, para ajudar á manutenção do sitio ... 
Seu café sempre fresquinho, seu suco de maracujá estocado no freezer para eu tomar durante o ano todo ! 

Seu bom gosto para arrumar flores ... que também pegava com a vizinha . Seu carinho expresso em presentinhos como o vidrinho de perfume que me deu em meu último aniversário. 

Seu companheirismo com Moisés, seu marido há 38 anos ... eram os guardiões de minha cabaninha entre o jardim, o pomar e a floresta, um par inseparável em minhas fantasias de uma família de espírito cultivando a terra, dela se alimentando e a cumulando de bons tratos, em retorno...  

Quisera acreditar em nosso encontro em um Céu onde a jornada dos homens e mulheres de boa vontade continuasse, Por enquanto, só me resta manter  viva a sua memória, da forma mais doce possível,  tal qual suas frutas em compota, seus buquês inspirados, sua risada alegre quando me fazia confidências... 

Adeus, minha parceira, o mais nobre tipo de amiga ! 

 



sábado, 12 de dezembro de 2020

Inseminação nas vaquinhas

 Neste ano que finda passei a investir energias com particular rigor no meu sítio , com a louvável intenção de fazê-lo produtivo em muitos níveis .

Antes de tudo, sob a orientação de  nosso veterinário , dr. Fabiano, as duas vaquinhas que vão ter filhotes passaram a comer sal especial e outros produtos e estão lindas, bem gordinhas.
  Continuando tal  processo iniciado no mês passado, após ter passado diversas vezes pelo sitio para ministrar fortificantes e hormônios previamente a Mococa e Pretinha, dr. Fabiano  foi levar  o sêmen e me estimulou a estar presente para aprender noções  sobre inseminação bovina, Pouco a pouco vou adentrando os meandros da vida rural .  


Dr. Fabiano colocou uma luva muito comprida para manusear as regiões em torno da vagina das fêmeas no cio . Fico sabendo que as vacas só têm 

um dia de cio . Pelo que entendi, o touro, no contexto  natural, cruza com elas diversas vezes até 'dar sorte'. 


Dr. Fabiano começa a esquentar água , em uma medida certa para que degelar o sêmen... 

... que vem preservado dentro de um barril de nitrogênio, com validade indeterminada 



Há uma ´serie de procedimentos para limpar um muco que  fica dentro do útero das vaquinhas para dar mais chance ao sêmen  de se implantar bem.  

Depois o  tubinho com o sêmen é retirado do tal barril de hidrogênio. 
Existem  vários tipo de sêmen. Na Mococa foi usado um sêmen de jersey, de acordo com a raça nela preponderante.  Na Pretinha, um sêmen de girolanda, uma mistura de gir e holandesa .

Minha vaquinhas, miúdas que são,  precisam ter 'maridos genéticos'  de porte pequeno porque tenho pouco pasto. 







Há também uma manipulação cuidadosa de várias pipetas para passar o tubinho do sêmen , devidamente resfriado, para um tubinho  comprido de plástico que vai  ser inserido no longo e tortuoso canal vaginal das vaquinhas até atingir o útero, que parece que fica logo no fim deste caminho . 

O veterinário precisa levar o tubinho na boca para poder manusear 
o canal onde vai ser inserido .

O tubinho com sêmen fica dentro daquele de plástico macio e vai sendo introduzido aos poucos, com particular habilidade .



É todo  um movimento delicadamente executado, para ir bem fundo e não machucar o animal. 

Depois do dever cumprido e um banho merecido, um bom lanche roceiro, com broa de fubá , biscoitos de polvilho e chá de canela e uma conversa agradável com o dr. Fabiano . 


Agora é esperar para ver se elas engravidaram ; vai depender de se entram ou não no cio agora entre os dias 21 e 24 de dezembro. Se não pegaram cria, a inseminação precisará ser repetida. 


Vou me despedir, por enquanto,  da Pretinha e da Mococa (a bege mais escura , em segundo plano) e também, de forma mais definitiva, da Mansinha - a bege mais clara )  e sua bezerra Cabocla (escondida atrás da Pretinha).

 Esta duas últimas vão ser negociadas, pois a Mansinha perdeu uma teta e só vai dar leite para  amamentar o bezerro, não vai sobrar para os humanos; Moisés prometeu  vendê-la como reprodutora e não para corte.   Cabocla vai junto, para o preço da duas equivaler ao de uma nova vaca leiteira. Detesto pensar no 'preço' de bichos queridos. Cabocla vai ter seu destino determinado pelos gens; se for boa de gerar filhotes e produzir leite tem chance de vida longa...

Esta exigência , de ter de dispor de alguns seres vivos de vez em quando, é  um aspecto doído  de que nem gosto de lembrar, para  poder ter vaquinhas no sitio ...