terça-feira, 28 de julho de 2020

O retorno do Verde ao Rio: o Parque


Muito aos poucos - por um lado - e muito depressa - por outro - levantam-se as mais coercitivas regras da Quarentena no Rio. E abrem-se, afinal, os amplos bosques verdes que envolvem nossa cidade - em especial os dois que delimitam o coração do meu  bairro ecológico. Ainda cheios de restrições de horários, o que não impede que por demais pessoas os invadam nos fins de semana.   

Mas o cidadão jardinbotaniquense  procura as melhores brechas para aproveitar a Natureza em sua quietude essencial. E o horário mais favorável a meu perambular poético e livre pelo Parque Lajes recuperando a familiaridade com árvores amigas  e cenários saudosos é logo que o espaço abre seus portões, às 10 hs.  - nos dias de semana , é claro ! 

Foi bom rever a pequena clareira lateral, onde entre entre dois grandes jequitibás, eu já vinha observando uma jovem jaqueira crescer, sorrateira e quase despercebida  ...


E, agora, descubro  como, seguindo o ritmo inexorável      
                                             
de sua gestação anual , a arvorezinha adolescente está  
coalhada de suas primeiras robustas frutinhas 

Depois , é subir a bela estrada de paralelepípedos em meio à densa floresta , e continuar  ascendendo por uma trilha um pouco escondida, bem estreita , de terra, pedra e troncos caídos, rumo a uma belíssima vista...

... pequeno segredo escondido , na qual se descortina a gema azul da Lagoa,  por entre a mais bela das silvestres molduras !!! 




sexta-feira, 24 de julho de 2020

Aprendizagens da quarentena

Surpreendentemente, algumas coisas absolutamente básicas para a maioria das pessoas,  forma novidade completa  para mim. Com a dificuldade de transporte de minha antiga empregada - o que acelerou sua já há muito prometida aposentadoria - passei a ter de cuidar da casa. Dentre os cuidados desta, a tarefa de cozinhar me era inédita ! 

Decisivo  para este passo - mantendo um mínimo de compromisso com a dieta - foi a compra de acessórios indispensáveis  e aprender alguns procedimentos fundamentais ! 


Legumeira e descascador de legumes
Legumeira e descascador de legumes
sobre um fogão imaculado
 (depois que eu descobri qual  
o melhor produto para ele ) 

Fazendo doce de banana no fogão e
purê de abóbora no forno ! 

E descobrindo um espremedor
"individual'  de laranjas

 
Que estas novas descobertas se mantenham no tempo e no espaço, me dando uma certa liberdade em relação ao serviço doméstico !!! 




segunda-feira, 13 de julho de 2020

O melhor suco cítrico do mundo

Tenho trazido muitas frutas cítricas do sitio, há três meses. "Ano bom de laranjas", dizem os da terra. Uma variedade muito grande de tangerinas, laranjas, limões...

Como é uma lavoura muito caseira, as mesmas espécies de frutas 'saem' diferentes de um pé para o pé vizinho.

Só pra ilustrar:

À direita, limões galegos de nuances diversas,
a da caixa e a da cumbuca de madeira

Idem-idem nas caixa e cumbuca da frente ,
quanto aos deliciosos limões doces... 
     Tenho misturado todas esta nuances cítricas em um suco delicioso!


Como é feito com as frutas de meu amado sítio, de árvores variadas únicas entre si , para mim é o melhor suco misto do mundo !!!





quinta-feira, 9 de julho de 2020

Sítio: o prático e o poético

Tenho meu sítio há mais de trinta anos e sempre o administrei de forma informal e democrática , deixando relevantes responsabilidades na mão de meu caseiro. Agora que - começando a pensar no meu legado - penso em organizar seu manejo  de forma mais ecológica, algumas providências  se impõem que me são pesadas de assumir , dado o meu temperamento libertário.

Dentre eles, melhorar a raça de minhas vaquinhas e sua produção. Preciso, pois , acompanhar mais de perto as vicissitudes de meu mini-rebanho, de forma mais objetiva em relação à que pratiquei anteriormente . Inclusive, acompanhando mais de perto nascimentos e trocas e perdas de minhas cabecinhas bovinas.  Isto tem um gostinho amargo de 'fiscalização' que procuro atenuar abaixo , com o prazeroso registro de suas imagens.

Estas são Mansinha e Neguinha, que estão para dar cria. 

Mococa é a tri-trisneta - ou mais ancestralmente conectada ainda - da
primeira vaquinha jersey que tivemos em de meu sítio (ou assim gosto de crer) .
Acabou de ter filhote  há dois meses.   

Crioula, a bezerra de Neguinha e o bezerrinho de Mococa 
 Fiz um primeiro levantamento de nossos pastos para uma veterinária especializada em leite orgânico com quem comecei a entrar em contato. Ela parece  uma pessoa muito legal, pena que more em Valença. Ao lado, fotos  de onde está o olho d'água que temos no pasto maior e da utilização provisória de um pasto menor para lavoura temporária de jiló e abobrinha.

Abaixo, videos que mostram diferentes ângulos do meu pasto.




Para aguentar toda esta atividade tão contrária a minha índole preciso apelar apara a poesia. Zanzo pelos meus locais prediletos do ´sitio, curtindo o maravilhamento para com a Natureza que ele sempre me inspira.E tirando fotos dele sugestivas..

Algumas reúnem em si mesmas o lado mágico e o prático. Tem coisa mais linda que as flores que depois vão virar frutas ? Como a do pêssego, preciosa  gema em seu galho nu ou a profusão estrelada das pitangas 

Adoro algumas florezinhas de jardim antigo que consigo preservar dos 'velhos tempos' no meu jardim, Como o 'buquezinhos de noiva' cujo formato explica o nome e que, ao que consta , era usado para constituir a tiara que prendia o véu das noivinhas da roça...

Há as flores atemporais como a rosa. Nunca ela é  mais bela que quando , de manhã cedinho, toda aureoladas de orvalho, oscila em seu caule verde á brisa macia...


 E , para completar  - por hoje - uma garça posou junto a meu açude. Que inveja  do seu vôo livre, para além de projetos e propostas, pura realização de sua essência, querida visitante passageira ...




domingo, 28 de junho de 2020

Festejo junino simbólico

Este ano, esqueci completamente os festejos juninos, que em geral me remetem a muitas lembranças da infância agradáveis e que, quase todo ano, cito por aqui de alguma forma.

Além da quarentena, que continua nos assombrando, embora de forma mais modesta, a entrega do Imposto de Renda  fora adiada para o final de Junho e na semana passada sufocou meu tempo libre.

Mas, em um arroubo de entusiasmo, peguei uma caixinha de  pastéis que sequer havia aberto e retomei o bloco de papel Verger de minha saudosa aula de Desenho para esboçar  um mini-cenário festivo que se sobrepusesse às ditaduras do cotidiano. 


E fiz eu mesma um pouquito de docinhos de abóbora e de banana do sitio e comprei no Hortifruti uma deliciosa canjica com fiapos de coco e um doce light de manga (todo saudável, feito com manga, yogurte grego e chia , delicioso!) que dispus na frente do meu improvisado fundo de tela de bandeirinhas e fogueira !

E assim homenageei  Santo Antônio, São João e São Pedro !! 

E comi os docinhos como sobremesas no meu fim de semana !!!

E uma Tradição de meu Coração se manteve viva !!!!  







sexta-feira, 26 de junho de 2020

Defesa de Tese em tempos de quarentena

Nossa querida amiga Jeanine defendeu sua bela Tese de Doutorado nestes tempos perturbados. Trata-se de um estudo competente e inspirado sobre As Colônias Agrícolas para Alienados no início de seculo XX, com ênfase ao admirável projeto humanista do psiquiatra Juliano Moreira e na função positiva, para os internos, do ambiente rural acolhedor das instituições do gênero. De nosso particular agrado - pois nosso grupo assistiu à defesa on-line - foi esta parte final, ricamente ilustrada, onde avulta o papel  regenerador da Natureza, da Arte e do Afeto na recuperação dos pacientes...

Vamos. a seguir, dar uma pequena  amostra de algumas fotos da Tese dos lugares em que, na Europa, no Brasil e nos Estados Unidos,  vigoraram tais filosofias de tratamento, fortemente influenciados pelo Idealismo  e Romantismo alemães.



À esquerda, chalés para os enfermos, nas colônias agrícolas da Alemanha.
A direita , pavilhão para os pacientes  tuberculosos em Jacarepaguá.

 
 Acima, um interno construindo habilidosa maquete de uma residência, uma das muitas atividades criativas desenvolvidas na colônia da Ilha do Governador.
Abaixo, um cottage em Michigan, onde a atmosfera receptiva afetuosa lateja nas linhas arquitetônicas da casa, envolta por gramado protetor.

     A Defesa propriamente dita formalmente seguiu o modelo das apresentações de trabalhos pela plataforma Zoom, onde em pequenos quadradinhos apareciam os professores doutores da Banca e a  doutoranda, enquanto a tese era apresentada através de um power point em um espaço maior central.

Quanto ao conteúdo, também seguiu um padrão conhecido, a maioria dos doutores tecendo merecidos elogios à Jeanine e uma representante do conservadorismo acadêmico implicando um pouquinho com ela, só para nos permitir um saudável desabafo contra a mediocridade de seu pífio desempenho .

Perdoem-me  ter-me envolvido tanto na Defesa, que só lembrei de tirar uma foto ilustrativa quando Jeanine a acabara! Mas dá para termos uma ideia do formato deste singular colóquio digital, e no quadro abaixo,   a examinanda  está em ótima companhia, ladeada por sua fiel orientadora e uma das professoras da Banca que mais efusivamente havia ressaltado o mérito de seu trabalho !


Também tivemos que nos congratular e homenagear a recém-Doutora aos pedacinhos, tendo por sede (cada um de uma vez ) de nosso encontro a casa da Ana !!!

Começando pela própria Jeanine vindo receber nossos parabéns, através de pequenos símbolos festivos, na mesa que tantas vezes abrigou nossos lanchinhos em mútua companhia !



Mas logo , Bia veio erguer um brinde à sua conquista...

... e Aninha, ao final de uma caminhada, lhe dedicou um V da Vitória.







E , justiça poética, também por Skype, de seu leito de filósofo, Márcio ergueu os polegares desejando sucesso aos novos rumos da nossa companheira de pesquisa no 4F !!! 



Assim, através do lado mais gentil da tecnologia, temos uma lembrança de nosso grupinho unido em uma ocasião importante na Vida de uma de nós !!! 


Mil palmas para você, Doutora Jeanine,  nesta data querida !!! 


sexta-feira, 19 de junho de 2020

A Campo e a Cidade



Nos últimos tempos, tenho-me aproximado muito de minha roça, seguindo a tendência dos citadinos angustiados com as mazelas das metrópoles. Continuo a gostar muitíssimo de lá. Mas, espírito inquieto que sou - ou talvez em função dos dias sombrios da minha última subida - percebo que, embora a bela contínua renovação do ciclos da vida que floresce no campo continue a me encantar, preciso de um pouco mais do que isto; do tipo de recurso simbólico de aprofundamento da experiência , provido pelas Humanidades que vicejam nas cidades.


Assim, depois de mais de um ano sem queijo, a primeira de minhas três vaquinhas grávidas teve um bezerrinho. É um deleite observar o serzinho gracioso e ingênuo , no estábulo novo que o Moisés construiu.  A seu lado, uma bezerrinha cuja origem nçao reconheço, talvez de alguma cria de vizinho.



Movida por tal inquietação íntima, fui procurar na Internet referências  de natureza artística do serzinho bovino .

E encontrei uma bela pintura de uma artista chamada Rosa Bonheur.

Fui saber mais sobre ela e verifiquei que embora  interessada em retratos detalhados de  animais de grande porte , Rosa, que viveu no século XIX, foi uma artista citadina, residindo e expondo em Nova York  embora  viajando com frequência para os verdes prados onde seus modelos animais podiam ser  se encontrados.

Que belo exemplo de cooperação entre o cultivo da sensibilidade artística mais refinado na cidade e a inspiração que a Natureza nos oferta, que reside com mais pujança no campo !

Um pouco mais sobre esta artista pouco conhecida, abaixo: